quinta-feira, 31 de julho de 2025

A PECUARISTA AMIGONA

A Polícia Federal descobriu que uma pecuarista que doou R$ 500 mil para a campanha de Tarcísio de Freitas em São Paulo mantém relação próxima com um integrante do PCC e, ao que tudo indica, está envolvida em lavagem de dinheiro para a organização criminosa paulista. Em nota, Tarcísio disse que “contou com mais de 600 doadores” em 2022, como se o governador nunca tivesse ouvido falar não exatamente do 599º ou do 601º, mas da sexta maior financiadora da sua campanha para o Palácio dos Bandeirantes.

Governador, ela se chama Maribel Schmittz Golin, tem 59 anos, você foi o único candidato que recebeu recursos dela em 2022 e o nome dela apareceu em uma investigação da PF sobre o envio de cocaína do porto de Paranaguá, no Paraná, para a Europa por uma joint venture entre o PCC e a ’Ndrangheta, a máfia originária da península da Calábria.

A Maribel, governador, tem quatro empresas com nenhum funcionário registrado, mas pelas contas dessas empresas onde ninguém põe mãos à obra passaram mais de R$ 1,4 bilhão entre 2020 e 2022. A PF também descobriu transações indicativas de lavagem de dinheiro entre a Maribel e o “apóstolo” Valdemiro Santiago, em cuja igreja, a Igreja Mundial do Poder de Deus, você, governador, já até subiu no púlpito para pregar contra “falsos cristos” e “filhos das trevas”.

E outra, governador, mas disso vossa excelência há de se lembrar: o tesoureiro da sua campanha foi o ex-militar, como você, e seu cunhado Maurício Pozzobon Martins, que você tentou empregar no governo do estado, mas teve que recuar por motivo de nepotismo. Aí o senhor enfiou Martins no gabinete de um deputado estadual, mas não um qualquer.

Atualmente, Maurício Martins trabalha no gabinete do deputado estadual Danilo Campetti, um policial federal que assumiu mandato em junho do ano passado após você, governador, requisitar ao prefeito da capital, Ricardo Nunes, que nomeasse um deputado do Republicanos para o secretariado municipal a fim de abrir uma vaga para Campetti, suplente do partido, na Alesp.

“Pra que essa ansiedade, essa angústia?”, diria um velho colega seu, governador, um colega de farda e de Esplanada dos Ministérios.

Em 2018, como policial, Danilo Campetti integrou a “Operação Messias” da Polícia Federal, de proteção do candidato à presidência Jair Messias Bolsonaro. Campetti estava em Juiz de Fora com Bolsonaro no dia da facada. Quatro anos depois, em 2022, Campetti estava no episódio do tiroteio em Paraisópolis durante um ato da campanha de Tarcísio, a campanha financiada por Maribel Dona-De-Bois. Há imagens dele de arma em punho. Naquele episódio, é bom lembrar, um homem morreu.

Vamos combinar: quem precisa da máfia calabresa?

Publicado no Come Ananás. Link nos comentários.

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CULTURA E PRISÃO

 


domingo, 13 de julho de 2025

O BOBO LADRÃO

 


STF CONSTRANGIDO

 


MACONHA ESTRAGADA

 


BRASIL É DOS BRASILEIROS

 



QUANDO UMA BALEIA MORRE

 


GRANDE DISCURSO

 Artigo do Presidente Lula publicado em 10 de julho no Le Monde 🇫🇷, El País 🇪🇸, The Guardian 🇬🇧, Der Spiegel 🇩🇪, Corriere della Sera 🇮🇹, Yomiuri Shimbun 🇯🇵, China Daily 🇨🇳, Clarín AR e La Jornada

📰 NÃO HÁ ALTERNATIVA AO MULTILATERALISMO

O ano de 2025 deveria ser um momento de celebração dedicado às oito décadas de existência da Organização das Nações Unidas (ONU). Mas pode entrar para a história como o ano em que a ordem internacional construída a partir de 1945 desmoronou.

As rachaduras já estavam visíveis. Desde a invasão do Iraque e do Afeganistão, a intervenção na Líbia e a guerra na Ucrânia, alguns membros permanentes do Conselho de Segurança banalizaram o uso ilegal da força. A omissão frente ao genocídio em Gaza é a negação dos valores mais basilares da humanidade. A incapacidade de superar diferenças fomenta nova escalada da violência no Oriente Médio, cujo capítulo mais recente inclui o ataque ao Irã. 

A lei do mais forte também ameaça o sistema multilateral de comércio. Tarifaços desorganizam cadeias de valor e lançam a economia mundial em uma espiral de preços altos e estagnação. A Organização Mundial do Comércio foi esvaziada e ninguém se recorda da Rodada de Desenvolvimento de Doha. 

O colapso financeiro de 2008 evidenciou o fracasso da globalização neoliberal, mas o mundo permaneceu preso ao receituário da austeridade. A opção de socorrer super-ricos e grandes corporações às custas de cidadãos comuns e pequenos negócios aprofundou desigualdades. Nos últimos 10 anos, os US$ 33,9 trilhões acumulados pelo 1% mais rico do planeta é equivalente a 22 vezes os recursos necessários para erradicar a pobreza no mundo.

O estrangulamento da capacidade de ação do Estado redundou no descrédito das instituições. A insatisfação tornou-se terreno fértil para as narrativas extremistas que ameaçam a democracia e fomentam o ódio como projeto político.   

Muitos países cortaram programas de cooperação em vez de redobrar esforços para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. Os recursos são insuficientes, seu custo é elevado, o acesso é burocrático e as condições impostas não respeitam as realidades locais. 

Não se trata de fazer caridade, mas de corrigir disparidades que têm raízes em séculos de exploração, ingerência e violência contra povos da América Latina e do Caribe, da África e da Ásia. Em um mundo com um PIB combinado de mais de 100 trilhões de dólares, é inaceitável que mais de 700 milhões de pessoas continuem passando fome e vivam sem eletricidade e água.

Os países ricos são os maiores responsáveis históricos pelas emissões de carbono, mas serão os mais pobres quem mais sofrerão com a mudança do clima. O ano de 2024 foi o mais quente da história, mostrando que a realidade está se movendo mais rápido do que o Acordo de Paris. As obrigações vinculantes do Protocolo de Quioto foram substituídas por compromissos voluntários e as promessas de financiamento assumidas na COP15 de Copenhague, que prenunciavam cem bilhões de dólares anuais, nunca se concretizaram. O recente aumento de gastos militares anunciado pela OTAN torna essa possibilidade ainda mais remota. 

Os ataques às instituições internacionais ignoram os benefícios concretos trazidos pelo sistema multilateral à vida das pessoas. Se hoje a varíola está erradicada, a camada de ozônio está preservada e os direitos dos trabalhadores ainda estão assegurados em boa parte do mundo, é graças ao esforço dessas instituições. 

Em tempos de crescente polarização, expressões como “desglobalização” se tornaram corriqueiras. Mas é impossível “desplanetizar” nossa vida em comum. Não existem muros altos o bastante para manter ilhas de paz e prosperidade cercadas de violência e miséria.

O mundo de hoje é muito diferente do de 1945. Novas forças emergiram e novos desafios se impuseram. Se as organizações internacionais parecem ineficazes, é porque sua estrutura não reflete a atualidade. Ações unilaterais e excludentes são agravadas pelo vácuo de liderança coletiva. A solução para a crise do multilateralismo não é abandoná-lo, mas refundá-lo sob bases mais justas e inclusivas. 

É este entendimento que o Brasil – cuja vocação sempre será a de contribuir pela colaboração entre as nações – mostrou na presidência no G20, no ano passado, e segue mostrando nas presidências do BRICS e da COP30, neste ano: o de que é possível encontrar convergências mesmo em cenários adversos. 

É urgente insistir na diplomacia e refundar as estruturas de um verdadeiro multilateralismo, capaz de atender aos clamores de uma humanidade que teme pelo seu futuro. Apenas assim deixaremos de assistir, passivos, ao aumento da desigualdade, à insensatez das guerras e à própria destruição de nosso planeta.

Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente da República do Brasil

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CRIMES DO JÁ CONDENADO