terça-feira, 31 de dezembro de 2024
segunda-feira, 30 de dezembro de 2024
domingo, 29 de dezembro de 2024
sábado, 28 de dezembro de 2024
A FALÊNCIA DO TIO SAM
Roberto Garcia
Ano novo chegando. A velha discussão voltando. Desta vez mais real, urgente. E olhe, preste atenção. Não é o inimigo quem está falando. A secretária do tesouro adverte: sem medida drástica, imediata, no máximo até 14 de janeiro o governo americano vai à falência, não vai pagar as dívidas que se acumulam, milhões de dólares por hora, as dúvidas do mundo lá fora vão se confirmar, o país não tem como pagar a maior dívida do planeta. Ela está pedindo - o Trump também - aumento do teto da dívida. Que é, na verdade, contraditório. Quer autorização do congresso para se endividar mais. A dívida que já é impagável. Faz sentido? Obviamente, não faz. Não tem grana para pagar as obrigações. Não vai ter. O jeito seria aumentar os impostos, a única coisa responsável. Mas isso ninguém quer. Outro jeito seria cortar as despesas, drasticamente, pelo menos um trilhão. Mas isso também não leva chance. Imagine o novo presidente, que fez muitas promessas na campanha, avisar que não vai dar, pedir que esqueçam? De jeito nenhum. O que resta, então, é autorização para aumentar o limite da dívida. O que é outra loucura. A superpotência está se afundando. E olhe só: o Trump quer acabar com essa história de limite, eliminar essa lei, pra não ter a discussão humilhante, em público, pra todo mundo ver. Quer simplesmente gastar, imprimir dólar sem lastro, seja lá o que Deus quiser. Esperar que isso se resolva, por mágica, ou não resolver, esquecer o assunto. E quando esquecerem, o pessoal estiver preocupado, ele reduz os impostos, como fez, no passado, aumenta o deficit, o buraco cresce. E deixa pra lá. Na teoria de que a economia vai crescer e o deficit vai ficar menor. É claro que também não dá. A conta não fecha. É ilusão. Estamos naquela do rei está nu. Todo mundo vai ver, mas não vai dizer...
CADÊ AS ATAS LIRA?
CADÊ AS ATAS, LIRA?
sexta-feira, 27 de dezembro de 2024
A DESMESURADA AMBIÇÃO DO LIRA
Jeferson Miola, no 247
O empenho desmedido de Arthur Lira para liberar o repasse de emendas secretas diz tudo sobre o real interesse em jogo.
Não se viu antes um Lira tão mobilizado como agora. Nem nos momentos mais graves de ameaça à democracia e aos poderes da República, como no atentado terrorista ao STF em 13 de novembro, e na descoberta do plano militar-bolsonarista de assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes.
Como se observa, o que de fato mobiliza Lira, a ponto de ele mover montanhas, são interesses nada nobres. O presidente da Câmara dos Deputados reivindica uma licença total para a corrupção com emendas parlamentares.
Lira interrompeu o recesso de fim de ano, mobilizou líderes partidários e pediu uma reunião de urgência com o presidente Lula para pressionar o STF a liberar o assalto de fim de ano ao butim de R$ 4,2 bilhões de emendas ao Orçamento da União.
Falta nobreza e republicanismo nessa luta do Lira e da deputadocracia viciada em verbas do orçamento secreto.
Importante ficar claro que o STF não determinou o fim das emendas impositivas, decisão que mereceria todo aplauso, pois tratam-se de verdadeiras excrescências que não existem em nenhum outro país do planeta.
O Supremo somente relembrou os congressistas a respeito de critérios legais e constitucionais que devem ser observados no repasse de todo dinheiro público, inclusive aquele originado em emendas parlamentares.
O ministro Flávio Dino apenas determinou –no que foi acompanhado pelo plenário do STF– que o pagamento de emendas precisa observar as diretrizes mais comezinhas da execução de todo e qualquer gasto público numa República: a identificação de autor e beneficiário de cada emenda, a publicidade e a transparência no repasse do dinheiro público, a viabilidade técnica da obra ou serviço, o plano de aplicação financeira e a prestação de contas.
Para Lira, no entanto, esta determinação é inaceitável. Ele reivindica total obscuridade e absoluta falta de transparência e controle sobre o repasse dos R$ 4,2 bilhões que o ministro Flávio Dino corretamente mandou travar, a bem do interesse público.
Ora, por que essa resistência tão feroz e obstinada do presidente da Câmara em cumprir as leis de execução orçamentária aprovadas pelo próprio Congresso?
Por qual razão Lira e seus colegas insistem em ocultar informações elementares, que permitiriam o rastreamento, monitoramento e fiscalização do dinheiro público?
Por que, afinal, eles querem esconder até mesmo o nome do/a parlamentar que direciona dinheiro do orçamento nacional e para qual finalidade?
Por que esse medo genuíno com a transparência na execução do gasto público através das emendas parlamentares?
Será por alguma má intenção?
PITI
Chico Sá (do ICL)
PITI
A turma boa do Dicionário Oxford escolheu “Brain rot” (cérebro apodrecido ou atrofia cerebral) como a expressão do ano de 2024. Escolha excelente. O que apodrece o cérebro é o abestalhamento generalizado da humanidade diante do consumo de conteúdos imbecilizantes do lixão da Internet.
A equipe de Oxford pegou pesado, mas fez um belo alerta para quem está desperdiçando a vida com o que há de pior nas redes sociais e no monturo das páginas de desinformação. Uma situação tão deprimente quanto aquele sujeito sentado no trono de um apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar — como antecipou o profeta Raul Seixas em “Ouro de tolo”, música de 1973.
Na sua coluna na Folha de S. Paulo, o jornalista e escritor Sérgio Rodrigues recorreu à política para apostar, de maneira sábia, na “chantagem” como a grande protagonista.
“A palavra de 2024 no Brasil, chantagem, é um substantivo feminino que chegou à língua portuguesa em fins do século 19, vinda do francês “chantage”. A “pressão exercida sobre alguém para obter dinheiro ou favores mediante ameaças” demorou todo esse tempo para subir na vida”, escreveu o autor de “O Drible” e “Viva a Língua Brasileira”.
Basta acompanhar, por cinco minutos, o noticiário do Congresso para entender o destaque que “chantagem” mereceu. O que Arthur Lira, comandante da Câmara dos Deputados, fez com o governo Lula, repetidas vezes, foi colocar essa faca retórica no pescoço presidencial.
Peço vênia aos dicionaristas de Oxford e ao craque Sérgio Rodrigues, opa, para eleger uma outra palavra: piti. Nada combinou mais com o Brasil safra 2024 do que este vocábulo extraordinário.
A palavra “piti”, assim como chantagem, também tem origem no francês. Vem de “pitiatisme”, que significa “forma exagerada de manifestação histérica”. Piti, matreiro substantivo masculino, é um chilique, um faniquito, um escândalo etc. Exemplo: Fulano deu o maior piti em Brasília porque não levou tudo que sonhou do Orçamento Sequestro.
Quem exaltou essa palavra foi o Flávio Dino, ministro do STF, em uma referência ao apetite pantagruélico da turma do Arthur Lira. Relembre: “Como um Poder fica dando escândalo toda vez que um outro decide? A democracia do ‘piti’ nunca tinha visto. O Supremo não pode decidir mais nada porque as pessoas dão escândalo. Temos que agir com prudência, mas nunca podem pretender um Judiciário amordaçado”, disse o maranhense.
Tanto “chantagem” como “piti” podem ser usadas, tranquilamente, para as pressões e reações do Congresso e do tal Mercado, vulgo Faria Lima. Ninguém sacaneou tanto os brasileiros e brasileiras como estas duas entidades. Que essa gente pegue mais leve em 2025.
Feliz ano novo!






