Roberto Garcia
Ano novo chegando. A velha discussão voltando. Desta vez mais real, urgente. E olhe, preste atenção. Não é o inimigo quem está falando. A secretária do tesouro adverte: sem medida drástica, imediata, no máximo até 14 de janeiro o governo americano vai à falência, não vai pagar as dívidas que se acumulam, milhões de dólares por hora, as dúvidas do mundo lá fora vão se confirmar, o país não tem como pagar a maior dívida do planeta. Ela está pedindo - o Trump também - aumento do teto da dívida. Que é, na verdade, contraditório. Quer autorização do congresso para se endividar mais. A dívida que já é impagável. Faz sentido? Obviamente, não faz. Não tem grana para pagar as obrigações. Não vai ter. O jeito seria aumentar os impostos, a única coisa responsável. Mas isso ninguém quer. Outro jeito seria cortar as despesas, drasticamente, pelo menos um trilhão. Mas isso também não leva chance. Imagine o novo presidente, que fez muitas promessas na campanha, avisar que não vai dar, pedir que esqueçam? De jeito nenhum. O que resta, então, é autorização para aumentar o limite da dívida. O que é outra loucura. A superpotência está se afundando. E olhe só: o Trump quer acabar com essa história de limite, eliminar essa lei, pra não ter a discussão humilhante, em público, pra todo mundo ver. Quer simplesmente gastar, imprimir dólar sem lastro, seja lá o que Deus quiser. Esperar que isso se resolva, por mágica, ou não resolver, esquecer o assunto. E quando esquecerem, o pessoal estiver preocupado, ele reduz os impostos, como fez, no passado, aumenta o deficit, o buraco cresce. E deixa pra lá. Na teoria de que a economia vai crescer e o deficit vai ficar menor. É claro que também não dá. A conta não fecha. É ilusão. Estamos naquela do rei está nu. Todo mundo vai ver, mas não vai dizer...
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