segunda-feira, 30 de junho de 2025

O POBRE IDIOTA

 






O B MUDO DO PT

 O silêncio também fala. É ele que estrutura o não-dito e define os limites do possível. A campanha "Taxação BBB", lançada pelo PT em junho deste ano, ao nomear bilionários, bancos e bets, constrói uma mensagem combativa que se ancora no sentimento popular de justiça econômica. Mas falta um B e sua ausência é tudo, menos um descuido.

O B de Big Tech não cabe no slogan porque rompe com um acordo silencioso sobre tecnologia. Esse B ausente é um silêncio que mostra a dificuldade de nomear aquilo que, hoje, organiza a comunicação, os dados, o debate público e até o voto: o algoritmo.

Essa ausência fica ainda mais evidente diante dos acontecimentos recentes. O julgamento do artigo 19 do Marco Civil da Internet pelo STF ampliou a responsabilidade das plataformas sobre conteúdos ilegais mesmo sem ordem judicial. A decisão foi considerada histórica pela AGU e criticada pelo Google, que alegou risco à liberdade de expressão e à economia digital. O poder das plataformas se disfarça de liberdade, e toda tentativa de limitar abusos passa a ser vista como autoritária.

“A liberdade de expressão é a nossa alma”, disse Jair Bolsonaro no dia 30 de maio de 2025, aqui em Fortaleza, durante o seminário de comunicação promovido pelo PL. A escolha de citar a Primeira Emenda dos Estados Unidos não foi por acaso. O evento, com presença de representantes das big techs, serviu para reforçar esse discurso. O seminário marcou uma virada: as plataformas agora moldam políticas, organizam eventos e operam diretamente na disputa eleitoral.

A mesma lógica apareceu na Paulista ontem, com o deputado Gustavo Gayer distorcendo falas dos ministros do STF para reforçar a narrativa de perseguição. A verdade deixou de ser o que se prova. Tornou-se o que circula.

A campanha do PT acerta ao mirar em alvos populares: bilionários, bancos e bets. E não erra ao deixar de fora o poder das plataformas, que hoje funcionam como meio, palco e jogador ao mesmo tempo. Talvez o PT ainda não possa dizer esse B em voz alta. Mas não dizer é diferente de não pensar. A política também é feita de pausas. E cada pausa, às vezes, diz mais do que uma frase inteira. O B mudo é um silêncio carregado: um espaço guardado para o momento em que o país possa, enfim, falar disso sem medo. Quando esse dia chegar, o B deixará de ser mudo e passará a ser nomeado com todas as letras.

Soberania Já - Esse dia pode estar mais próximo do que parece. A capital federal recebe, nos dias 8 e 9 de julho, o Encontro Nacional “Soberania Já!”, que reunirá parlamentares, ativistas, pesquisadores, coletivos hackers, organizações sociais e representantes do poder público para debater os caminhos da soberania digital no Brasil. A programação inclui aulas públicas, articulação de uma Frente Parlamentar, plenárias estratégicas e grupos de trabalho voltados à construção de um Plano Nacional de Soberania Digital. Promovido por uma coalizão de entidades da sociedade civil articuladas na Rede pela Soberania Digital, com apoio da Campanha Internet Legal e de diversos mandatos parlamentares, o encontro marca um esforço concreto para que o Brasil possa, enfim, dizer esse B em voz alta.

POBRE PREMIUM

 


O DIA EM QUE O SATANÁS MORREU

 




ASSIM NÃO DÁ!

 


O PROBLEMA É A BOLSA-FAMÍLIA

 


FLOPOU NOVAMENTE

 


quinta-feira, 26 de junho de 2025

GOLPE DA BARRIGA

 Izabelle Valladares e a História para curiosos   

Quando nosso Imperador Dom Pedro I caiu no Velho Golpe da Barriga!
Olá, Curiosos,
Essa semana postamos uma enquete sobre o possível número de filhos deixados por Dom Pedro I no Brasil e chegamos à incrível soma de mais ou menos cinquenta filhos não registrados. Não era nem preciso trazer uma Corte, Dom Pedro se encarregaria de fazer a dele sozinho. Ele teve filho até com uma freira em Portugal, uma bailarina, uma escrava, uma cozinheira… Enfim, geral!
Mas a vida não é um morango 😎🍓🍓🍓, não é mesmo? E como tem gente boba, tem gente esperta. E é de uma dessas espertas que falaremos agora.
Constance Saisset, que tirou uma graninha do papai.
Pedro Brasileiro de Saisset foi o nome dado à criança, batizada como filho legítimo do casal Saisset na França.
Esse filho em especial, que recebeu até o mesmo nome do Imperador, só ficou sabendo de sua verdadeira história já adulto, após o falecimento da mãe.
Mas vamos pelo começo.
Você deve estar se perguntando se ele era filho da Domitila, ou da irmã dela, ou de alguém bem próximo, né? Afinal, o nome do primeiro filho de Domitila com Pedro também era Pedro Brasileiro (Santa criatividade, Batman!). Mas não, acredito que não tenha ouvido falar desse babado imperial.
Em 1808, quando a Corte veio para o Rio de Janeiro, o movimento comercial por aqui triplicou. Pra começar, o número de pessoas que chegou era maior que o número de pessoas que já havia na cidade, então a cidade estava carente de todo tipo de serviços e, com a abertura dos portos e o crescimento de pessoas com poder aquisitivo melhor, rapidinho bombou de comerciantes chegando na cidade. Todo mundo queria vir pra cá, e o Brasil sempre foi casa da mãe Joana. Portos abertos, braços abertos, podia vir todo mundo. E vieram!
O Rio de Janeiro se transformou. Muitos estrangeiros vieram para a Rua do Ouvidor e para a Rua Primeiro de Março. Veja que até hoje há muitas casas estrangeiras nessa região: casas de comércio de turcos, portugueses, árabes, enfim, aquela miscelânea cultural que é o centro do Rio de Janeiro. Nesse contexto, chega o casal Saisset (leia “Cc”), que eram modistas. O conceito de modista hoje puxa para o estilista, o alfaiate, mas na época seria o conceito maior de um bazar da moda, que vendia leques, perucas, perfumes, lenços, vestidos sob medida, luvas, ou seja, acessórios para complementação das roupas. Enfim… tudo o que rolava na última moda em Paris, eles tinham por lá.
O tempo passa e o casal se dá bem por aqui.
Já estamos em 1828.
Nesse ínterim, Dom Pedro já virou Imperador, já proclamou a Independência, já havia dito ao povo que ficava, enfim, já estava todo enrolado. Inclusive, Leopoldina já havia falecido e ele já tinha ciência de que sua má fama corria o mundo — e ninguém queria se casar com um demonão, ainda mais com um monte de crianças e uma amante perigosa morando a menos de um quilômetro da sua casa. Então, Dom Pedro elimina Domitila com a sutileza de um hipopótamo:
– Pra São Paulo! JÁ!
Ela reluta, mas mete o pé. Triste, mas vai embora pra ver se a coisa melhora pra ele.
O Rio de Janeiro finalmente se acalma e Dom Pedro decide encomendar uma nova roupa para um novo quadro, pra ver se o Tinder dele volta a receber superlikes, e assim ele vai parar na Casa da Modista, Clemence. Assim, começam a ter um tórrido rala e rola, e ela acaba engravidando do Imperador.
Só que o marido descobre e dá um salseiro danado. Pra abafar o caso, Dom Pedro assina um comprometimento com o casal de dar a eles uma pensão vitalícia para a criança e uma grana para eles sumirem do Rio de Janeiro, pois Amélia já estava quase assinando o contrato de casamento e, se aquele babado vazasse, não ia ter mais casamento algum.
Pois bem!
Em dezembro de 1828, eles vão embora para a França e começam um jogo de extorsão e chantagem. Eles não eram bobinhos. Começaram a exigir cada vez mais e chantagear Dom Pedro I, pois tinham as cartas — tanto afirmando a paternidade quanto com o modus operandi do velho demonão. E isso gera o maior desconforto, principalmente à diplomacia da época, que tinha que driblar o casal pro assunto não chegar na boca do povo, que já não estava satisfeito com as últimas de Dom Pedro em relação a Leopoldina.
Dom Pedro era meio inocente em relação às pessoas. Ele escrevia tentando protegê-la de alguma forma. Nessas horas, que eu defendo que ele era até piranhão, mas não era um cara agressivo. Nas cartas ele explicita muito o temor de ela apanhar do marido, dele querer descontar fisicamente nela o que era culpa dele também. Mas o Visconde de Barbacena vai lá pessoalmente conversar com o casal na França e percebe que não tem romantismo nenhum ali. Eles só queriam mesmo dinheiro pra ficarem de bico calado.
Inclusive, Barbacena chega a dizer ao Dom Pedro que o marido já esfregava a mulher na cara dele propositalmente, e o tolo não percebia o golpe que estava prestes a cair.
Esse Barbacena é dos meus, fala na cara.
Como dizia o pensador Goedy Friechsky: “Quando a cabeça não pensa, o corpo padece.” Na verdade, você só vai encontrar esse pensador nos meus textos, pois ele é cria da minha imaginação, mas ele me dá bons conselhos 😂😂😂😂😂. De vez em quando ele me diz: “Bebe mais, só se vive uma vez!” 😂😂😂😂.
Mas enfim, voltando a Pedro.
O Visconde escreve pra ele dizendo que o casal não está nem aí pra exposição, que ela tem um papagaio brasileiro que diz pra todo mundo que era da Leopoldina, que ela não faz nenhum esforço em manter segredo, que pra toda visita fala quem é o Imperador e, tipo, tira sua onda que pegou o cara. E pra Pedro deixar de ser bobo e parar de mandar cartas, que isso só juntava mais provas contra ele.
Depois dessa, ele para de mandar cartas à Constance.
Em 1828, nasce Pedro Brasileiro de Saisset, e esse casal não deixa Pedro em paz. Eles eram tão abusados que chegaram a escrever cobrando pensão à Dona Amélia, e posteriormente ao Dom Pedro II.
Ele cresce na França com muita grana, é educado como um nobre, sem saber que era filho do Imperador, porque foi criado como filho do Monsieur Saisset. Torna-se bacharel em Letras e, depois, advogado. Forma-se em Direito e vai investir em New York; então, lá, ele fica sabendo da corrida do ouro na Califórnia e, como já conhecia a história de muita gente que ficou milionária com o ouro do Brasil, decide investir nessa corrida do ouro.
Os pais deram a ele cinco mil dólares para investir em mercadoria e multiplicar o dinheiro por lá. Ele tinha que voltar para o Exército Francês, mas decide fazer uma viagem de seis meses até São Francisco, achando que iria fazer muita grana por lá.
Só que o navio que o levou até a Califórnia zarpa com tudo dele dentro — não se sabe se foi golpe ou se ele engoliu mosca — só se sabe que ele estava na Califórnia sem um pau pra dar no gato, só com a roupa do corpo.
Então, ele teve que engolir a seco o ar de nobreza e trabalhar duro para sobreviver. Ele trabalha em navios e consegue se levantar.
Ele tinha um dom pro comércio e prospera nos Estados Unidos. Prospera no ramo de pesca, de seguros, monta sua família americana, vira cônsul da França nos Estados Unidos… enfim, se estabelece por lá por trinta e cinco anos, até que a mãe dele, a Sra. Constance, falece em 1864. Ele chega a Paris para resolver as coisas da herança e recebe uma carta: “A Pedro Brasileiro de Alcântara, filho natural do Imperador Dom Pedro do Brasil”, e que se ele não aceitasse aquela realidade por ele, que aceitasse pela descendência dele. Imaginem a cara?
Ele recebe, então, todas as cartas trocadas entre o Pedro e a Constance, os acordos feitos para a educação dele, os recibos das pensões, tudo o que se passara naquele tempo, pois, nisso, Dom Pedro já havia falecido há uns trinta anos. Até o papagaio ainda estava vivo e falando (brincadeira, não sei — mas papagaio vive 100 anos!).
Ele escreve pro Dom Pedro II informando que era irmão dele, achando que o Pedrinho não sabia, mas Pedrinho informa que já sabia disso tudo, pois foi ele quem pagou toda a educação de Pedro Brasileiro, e que, na verdade, seus pais extorquiram a Corte até não poder mais. Inclusive, ele tinha planos de mandar o irmão estudar em Munique.
Ele volta pra Califórnia e é um dos pioneiros na região.
Em 1880, ele cria uma empresa de energia elétrica nos Estados Unidos. Em 1875, Dom Pedro II foi aos Estados Unidos, mas não se sabe se eles se encontraram. Sabe-se que, em 1877, o irmão de Pedro Saisset, filho mais velho de Constance, encontra-se com Pedro II em um hotel na Inglaterra, mas não se pode afirmar que houve um encontro entre os dois irmãos de sangue.
Pedro Brasileiro vive muito para a época. Ele falece em 1903. Teve quatro filhos — desses quatro, somente uma filha teve um filho, e esse filho não teve filhos. Então, essa linha sucessória de Dom Pedro I, estadunidense, acaba ali.
Pedro era bem parecido com o pai, fisicamente e na engenhosidade. Sua filha deixou todo o acervo familiar, além de objetos de arte, em uma universidade em Santa Clara – Estados Unidos.
Pedro gostava de inventar construções como Dom Pedro. Construiu um chalé de madeira e, ao se mudar, ele mesmo transportou a casa inteira de charrete.
Olha que inteligente?
Nosso Imperador caiu no velho golpe da barriga, mas desta vez… bem feito pra ele!

quinta-feira, 19 de junho de 2025

TV GLOBO VAGABUNDA

"Lula recusou dar entrevista ao jornal O Globo. Leiam a carta que ele escreveu a Bernardo Mello Franco":  
via João Madrigal

“Prezado Bernardo,

Agradeço o convite para uma entrevista para o jornal O Globo em uma série sobre ex-presidentes da República. Seu convite destoa da censura imposta pelas Organizações Globo. Não confundo as organizações com as diferentes condutas profissionais de cada um dos seus jornalistas.

O que me impede de atendê-lo é o notório tratamento editorial que as Organizações Globo adotam em relação a mim, meu governo e aos processos judiciais ilegais e arbitrários de que fui alvo, que têm raízes em inverdades divulgadas pelos veículos da Globo e jamais corrigidas, apesar dos fatos e das evidências nítidas, reconhecidas por juristas no Brasil e no exterior.

As próprias sentenças tão celebradas pela Globo são incapazes de apontar que ato errado eu teria cometido no exercício da presidência da República. Fui condenado por ‘atos indeterminados’.

Ao invés de ser analisada com isenção jornalística, a perseguição judicial contra mim foi premiada pelo O Globo. As revelações do site The Intercept foram censuradas, escondendo as provas de que fui julgado por um juiz parcial, em conluio com os promotores, que sabiam da fragilidade e falta de provas da sua acusação.

Enquanto não for reconhecido e corrigido o tratamento editorial difamatório das Organizações Globo não será possível acolher um pedido de entrevista como parte de uma normalidade que não existe, pelos parâmetros do jornalismo e da democracia.

Luiz Inácio Lula da Silva”

( Da página no Facebook de GERVÁSIO CASTRO NETO)

quinta-feira, 12 de junho de 2025

CABEÇA DE COCÔ




COVARDIA ANUNCIADA

Bom dia, Amig@s

*UMA ANÁLISE PRIMOROSA SOBRE OS DEPOIMENTOS AO STF.*
Esse texto é daqueles que a gente guarda.
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*”Crônica de uma covardia anunciada”*
Edward Magro”* 

Vi apenas um pedaço da oitiva do miliciano genocida. E bastou. Não por distração, tampouco por falta de interesse, mas por respeito aos meus "instintos mais primitivos". Há cenas que, assistidas por tempo demais, comprometem não só o fígado cívico, mas também a flora intestinal da dignidade.

Sofro, e não escondo, de uma dupla fragilidade pessoal que muito me limita como espectador do grotesco. A primeira, fisiológica: meu estômago não tolera vermes, sobretudo os rastejantes — essa subcategoria biológica que transita entre a baixeza e o cinismo com espantosa desenvoltura, como é o caso do meliante em "cuestão". A segunda, moral: nutro amplo, geral e irrestrito desprezo por cagões. E não me refiro aqui à frágil condição humana diante do medo legítimo, mas à covardia como método — esse hábito vil de esconder-se atrás de bravatas e fanfarronices, de posar de herói no meio da brodagem enquanto, na vida real, se é apenas um frouxo.

Do pouco que assisti, bastou-me a cena do bravo valentão da 5ª série — outrora herói de cercadinhos patrióticos — agora entupido de calmantes, suando mais do que estagiário em entrevista de emprego. Senti pena, sim, mas não dele. Pena de um Brasil que, depois de tudo, ainda oferece crédito moral a um peidorrento dessa magnitude. Um país que tolera esse tipo de bravateiro de fralda emocional precisa urgentemente de um Bolsa-Sanidade.

A performance foi exemplar. No pior sentido possível, é claro. O valentão, aquele que prometia resistir à bala e desobedecer a qualquer ordem do STF, portou-se como todo fascista: covarde, mentiroso e, acima de tudo, cagão. Muito cagão. Não há aqui insulto gratuito, mas diagnóstico político. A coragem dos fascistas é sempre performática; a verdade, um risco a ser evitado; a retórica, uma cortina de fumaça produzida, em geral, pelos mesmos gases que propulsionam suas convicções intestinais.

E, ainda que breve tenha sido meu tempo diante da tela, vi o suficiente. Suficiente para constatar que o golpista, especialista em montar sua própria forca, lançou-se ao precipício com a corda cuidadosamente enrolada no pescoço. Sua capacidade de autoincriminação foi exuberante, para dizer o mínimo. A mesma toada foi seguida pelos outros três milicos militares e pelo milico civil, todos tão peidorrentos quanto. Cada um deles teve, como exige o devido processo legal, a chance de se defender. Poderiam, com alguma inteligência, um pouco de pudor e respeito à inteligência alheia (e à do juiz), gabaritar o tal standard probatório que os advogados tanto gostam de invocar. Preferiram mentir. Escolheram continuar arrastando uma mentira viscosa e venusiviana, cheia de fantasias exo-esotéricas, coisa de alucino-siderado. A recompensa por tanto empenho virá na forma de uma condenação robusta. E merecida. Pelo grotesco espetáculo que protagonizaram, não há como escaparem das penas máximas.

Do ponto de vista estético, foi um dia horroroso para a humanidade. Um desfile de olhos vermelhamente cocainados, orelhas baixas, olhares bovinos, bocas pergoteadas, vozes fracas e trêmulas por excesso de calmantes — típico de quem sempre esbravejou nos bastidores, mas, diante do juiz, se borra como colegial flagrado colando na prova. Curiosamente, porém, para a democracia, foi um dia glorioso. Não pelas respostas — que não foram dadas —, mas porque o próprio teatro-zumbi, por mais grotesco, escancarou a verdade como só o ridículo é capaz de fazer.

Há quem diga que o riso é uma forma de resistência. Neste caso, o riso veio acompanhado do asco. Rimos porque não queremos vomitar. Mas não há como não rir, com ironia e desprezo, de quem passou a vida vociferando força e honra para, no momento crucial, se mostrar um rato tremelicante à beira do ralo, em suma, um peidorrento cagão!

O Brasil, nosso querido país de memória curta e estômago de avestruz, talvez se esqueça logo do que viu. Mas seria interessante registrar, em letras miúdas — ainda que aqui, nesse desprezível Facebook — que, naquele dia, cinco peidorrentos sentaram-se diante da nação e confirmaram, com a própria boca, aquilo que os intestinos do poder já sabiam: não há coragem possível em quem vive da mentira. E não há redenção para quem faz da covardia seu suporte existencial.

Sim, foi um dia de glória. E o fedor que ficou no ar é apenas o perfume tardio da justiça que se anuncia."

AÊÊÊ MALUCO!!!

 




DOM PRESO PRIMEIRO

 


MIÚRA CASTRADO

 


ALIENADO SOCIAL







GENERAIS BABAQUARAS

 


SURTO NO MIDIAQUISTÃO

 


domingo, 8 de junho de 2025

O CANGACEIRO EZEQUIEL

 A MORTE DE EZEQUIEL FERREIRA - AS CRUZES DO CANGAÇO NOS ROTEIROS DE PAULO AFONSO -

Os dois historiadores estiveram traçando um dos mais famosos Roteiros do Cangaço em Paulo Afonso e demarcamos um dos mais famosos pontos da história em nossa região.

Na Lagoa do Mel colocamos uma cruz marcando o local da morte de Ezequiel e onde também morreram 16 soldados.

PARA ENTENDER UM POUCO MAIS DA HISTÓRIA SOBRE O LOCAL ONDE ESTIVEMOS E ONDE MORREU EZEQUIEL, IRMÃO DE LAMPIÃO.....

Um dos mais ferrenhos combates de Lampião na Bahia aconteceu em Paulo Afonso, no povoado Baixa do Boi. Nesse confronto morreu, a principio, 16 soldados e posteriormente, em fuga e perdidos, morreram mais 3 policiais.

O cangaço era movido por tiroteios, mortes e ferimentos. Lampião foi grande estrategista e astucioso, com uma grande capacidade de pressentir o perigo que constantemente o rondava. O famoso cangaceiro vivia dividido entre os inúmeros combates e mesmo tendo desenvolvido uma quase perfeita estratégia de segurança, contando com o apoio dos numerosos coiteiros, tinha sempre a morte rondando seus dias e sofreu consideráveis baixas em seu contingente. Entre seus maiores dissabores ele sofreu trágicas perdas e ver alguns irmãos sucumbirem em combates sobre sua proteção, foi doloroso. No campo de luta ele viu três irmãos morrerem. O primeiro morto em combate foi o Livino ferreira da Silva, no abno de 1925, em um tiroteio acontecido na fazenda baixa do Juá, próximo a cidade de Flores, Pernambuco, com volantes paraibanas comandadas pelos sargentos José Guedes e Cícero de Oliveira. Livino faleceu oito dias após esse tiroteio, com 29 anos de idade.

O segundo irmão a deixar o mundo dos vivos foi Antonio Ferreira, nascido em 1896 e morto em janeiro de 1927, na fazenda poço do ferro, Tacaratu, Pernambuco, propriedade do coronel Ângelo da Jia, em decorrência de um acidente ocasionado por Luiz Pedro, que disparou sua arma acidentalmente atingindo o próprio amigo.

O terceiro morto em combate foi Ezequiel Ferreira da Silva, o mais jovem irmão, nascido em 1908. Ezequiel passou a acompanhar Lampião em 1927, junto com o cunhado Virgínio. Ele tinha o apelido de Ponto Fino, alcunha adquirida pela justeza do seu tiro.  Sua morte aconteceu em Paulo Afonso, Bahia, no povoado Baixa do Boi, terras pertencentes na época a santo Antonio da Glória do curral dos Bois.

O tenente Arsênio Alves de Souza chegou ás imediações do povoado Riacho com uma volante composta por aproximadamente 20 soldados e tendo como guia os dois irmãos Aurélio e Joví, que eram fugitivos da cadeia de Glória, preso pelo inspetor de quarteirão, o senhor Pedro Gomes de Sá, pai da cangaceira Durvinha. A volante chegou ao povoado riacho no dia 23 de abril de 1931, trazendo entre seu aparato bélico uma metralhadora Hotchkiss. O primeiro contato do tenente no lugar foi com Zé Pretinho e o jovem foi forçado a seguir com os policiais. Cruzaram o terreiro de dona generosa Gomes de Sá, coiteira de Lampião e foram armar acampamento na Lagoa do Mel, um tanque construído por Antonio Chiquinho.

Enquanto a policia se preparava para passar a noite na lagoa do Mel, outras fontes confiáveis de informações de Lampião se dirigiam para o povoado Arrasta-pé para avisar ao Rei do Cangaço sobre a presença dos militares nas proximidades. Lampião mandou avisar Corisco e Ângelo roque, que estavam arranchados bem próximos e junto com eles combinaram um ataque aos soldados.

Ainda com o escuro da noite, próximo ao amanhecer, Lampião recolheu alguns chocalhos com Pedro Gomes e seguiu as veredas que davam a cesso a lagoa do mel.

No coito da policia, prestes a amanhecer, o Zé Pretinho saiu com o intuito de pegar um bode para fazer parte do desjejum de todos ali. Com a escuridão se transformando em luz, os soldados ouviram o tilintar de chocalhos e imaginaram que seriam os bodes se aproximando para beber água (um dos sobreviventes desse combate, o soldado José Sabino, ordenança do tenente, relatou, anos depois, que realmente confundiram os chocalhos, achando que eram alguns caprinos se aproximando para beber água na lagoa). Na verdade eram os cangaceiros cercando o coito.

Despreocupados, os policiais sofreram um forte e inesperado ataque, uma verdadeira chuva de balas caiu sobre eles. Vários corpos caíram atingidos por balas mortais e certeiras. A dificuldade encontrada pelos soldados foi que eles cometeram um grande vacilo. A lagoa do Mel era rodeada por uma cerca de varas e eles haviam dormido dentro do cercado. Quando eles tentavam transpor as madeiras se transformavam em alvo fácil e caiam mortalmente feridos. Um exemplo dessas mortes trágicas foi a do sargento Leomelino Rocha que morreu e ficou de pé pendurado nas madeiras. Em um dos bolsos desse sargento lampião encontrou um bilhete do coronel Petro indicando alguns locais onde ele se escondia.

O tenente Arsênio diante o desespero do momento, conseguiu efetuar uma rajada de metralhadora e acabou acertando a barriga de Ezequiel Ferreira. A arma depois emperrou e o tenente conseguiu retirar o percussor (ferrolho) da arma e fugiu levando a peça que deixaria a arma inutilizável.

Nesse dia Lampião chorou amargamente a morte do irmão caçula e teve que enterrá-lo, com a ajuda de Antonio Chiquinho, próximo a Lagoa do Mel.

Era a vida dos que viviam pelo poder das armas, que tombavam no dia a dia, pelo aço lacerante do pipocar das artilharias dos diversos grupos que traçaram as páginas do cangaço no nordeste brasileiro.

João de Sousa Lima, Paulo Afonso 12 de julho de 2018

sexta-feira, 6 de junho de 2025

A SOPA, A ONÇA E O PRESIDENTE LULA

 A SOPA, A ONÇA E O PRESIDENTE LULA, de Sara Goes.                        

Lula carrega nas costas um país que finge não depender mais dele, mas que não sabe andar sem sua bússola.

Uma onça parda foi encontrada morta na beira de uma estrada no interior do Ceará. Moradores, sem hesitar, recolheram partes do corpo do animal e levaram para casa. Com os restos, fizeram sopa. Sim, sopa de onça. A cena, ao mesmo tempo grotesca e reveladora, escancara um modo de sobrevivência que beira a barbárie, mas também simboliza algo maior, algo que atravessa o sertão e chega direto à Praça dos Três Poderes.

No Brasil de agora, não é só a fome literal que assombra. É a fome simbólica. A fome política. Uma espécie de canibalismo discursivo, onde todos os grupos parecem disputar pedaços do mesmo corpo. Lula se tornou essa carcaça exposta. Presidente em exercício, mas também entidade devorada. Alimenta a extrema direita, que precisa dele como inimigo onipotente. Alimenta o centrão, que mastiga sua governabilidade. Alimenta a esquerda acadêmica, que exige dele pureza doutrinária. Alimenta a esquerda mística, que quer ver lágrimas e profecias. Alimenta até setores do próprio campo progressista, que não o perdoam por ser humano em vez de mito.

Desde os anos 80, a esquerda tenta produzir um herdeiro político para Lula. Já tentaram forjar um sucessor que o superasse no carisma, na experiência ou na retórica. Nenhum resistiu. Uns afundaram no tecnocratismo. Outros se perderam na vaidade. Nenhum sobreviveu à comparação com a figura que eles próprios ajudaram a construir como insuperável. A mesma esquerda que o chama de pai fundacional sonha com sua aposentadoria. Mas sonha com medo. Porque se Lula ainda está vivo, é porque ninguém foi capaz de ocupar seu lugar.

E talvez seja essa a tragédia. Lula virou a sereia estendida na areia, descrita em A Novidade, dos Paralamas. Metade milagre, metade banquete. Objeto de desejo e de fome. Beleza suspensa entre o sagrado e o utilitário. Os que um dia o exaltaram por suas conquistas agora duelam para decidir se ainda merece crédito. Uns querem seus beijos de deusa. Outros só querem o rabo para ceia. O mesmo corpo que antes inspirava canções agora é estraçalhado por quem precisa sobreviver à própria frustração.

No meio dos esmerados em desossá-lo, há ainda os que preferem conservá-lo. Desde que empalhado. São os que o reduzem a uma fábula edificante, sempre apelando ao passado de retirante nordestino, como se sua intelectualidade fosse um subproduto instintivo, e não uma elaboração crítica e política sofisticada. Transformam sua trajetória em um enredo biográfico sem conflito, domesticado, ornamental. O mesmo expediente que meu colega Mário Vitor Santos observou na construção simbólica de Pepe Mujica, convertido em ídolo velhinho, conselheiro fofo, desprovido de tensão histórica. Lula, nesse enquadramento, não precisa mais pensar nem governar. Basta existir como lembrança.

Enquanto isso, o presente arde. Lula viajou à China e selou acordos comerciais históricos. Tratou de soberania, tecnologia, multipolaridade. Falou como um líder do Sul Global. Mas ninguém prestou atenção. A manchete foi outra. Uma fake news grosseira sobre Janja virou pauta central. Espalhou-se a história de que ela teria causado desconforto com Xi Jinping ao mencionar o TikTok. Nenhum vídeo, nenhum áudio, nenhum indício. Mas bastou. Em poucas horas, a suposta gafe da primeira-dama eclipsou os tratados firmados entre duas potências. Era como se a sereia abrisse a boca para falar e todos se concentrassem apenas no movimento de sua cauda.


É o projeto deliberado da velha imprensa de impedir que o país enxergue o próprio avanço. Globo, Folha e Estadão não erram por distração. Sabem exatamente o que fazem. Como apontado em editorial recente do Brasil 247, essas casas editoriais se converteram nos maiores entraves ao desenvolvimento nacional. Não porque neguem os fatos, mas porque os omitem com método. Sabotam o debate com silêncio. Esvaziam com editoriais. E quando não podem ignorar, preferem ridicularizar.

Foi o poeta que sonhava em cantar o milagre risonho. Mas o esfomeado venceu. Despedaçou a imagem, escarneceu do gesto, descartou o conteúdo.

No meio desse ritual antropofágico, Lula segue. Carrega nas costas um país que finge não depender mais dele, mas que não sabe andar sem sua bússola. É cobrado como um jovem em início de carreira e esvaziado como um velho que já não serve. O que ele faz nunca basta. O que ele não faz vira acusação. A novidade era ele. Ainda é. E justamente por isso, precisa ser sacrificado de novo e de novo. Em praça pública. Em mesa de jantar. Em feed de rede social.

CRIMES DO JÁ CONDENADO