segunda-feira, 30 de junho de 2025
O B MUDO DO PT
O silêncio também fala. É ele que estrutura o não-dito e define os limites do possível. A campanha "Taxação BBB", lançada pelo PT em junho deste ano, ao nomear bilionários, bancos e bets, constrói uma mensagem combativa que se ancora no sentimento popular de justiça econômica. Mas falta um B e sua ausência é tudo, menos um descuido.
O B de Big Tech não cabe no slogan porque rompe com um acordo silencioso sobre tecnologia. Esse B ausente é um silêncio que mostra a dificuldade de nomear aquilo que, hoje, organiza a comunicação, os dados, o debate público e até o voto: o algoritmo.
Essa ausência fica ainda mais evidente diante dos acontecimentos recentes. O julgamento do artigo 19 do Marco Civil da Internet pelo STF ampliou a responsabilidade das plataformas sobre conteúdos ilegais mesmo sem ordem judicial. A decisão foi considerada histórica pela AGU e criticada pelo Google, que alegou risco à liberdade de expressão e à economia digital. O poder das plataformas se disfarça de liberdade, e toda tentativa de limitar abusos passa a ser vista como autoritária.
“A liberdade de expressão é a nossa alma”, disse Jair Bolsonaro no dia 30 de maio de 2025, aqui em Fortaleza, durante o seminário de comunicação promovido pelo PL. A escolha de citar a Primeira Emenda dos Estados Unidos não foi por acaso. O evento, com presença de representantes das big techs, serviu para reforçar esse discurso. O seminário marcou uma virada: as plataformas agora moldam políticas, organizam eventos e operam diretamente na disputa eleitoral.
A mesma lógica apareceu na Paulista ontem, com o deputado Gustavo Gayer distorcendo falas dos ministros do STF para reforçar a narrativa de perseguição. A verdade deixou de ser o que se prova. Tornou-se o que circula.
A campanha do PT acerta ao mirar em alvos populares: bilionários, bancos e bets. E não erra ao deixar de fora o poder das plataformas, que hoje funcionam como meio, palco e jogador ao mesmo tempo. Talvez o PT ainda não possa dizer esse B em voz alta. Mas não dizer é diferente de não pensar. A política também é feita de pausas. E cada pausa, às vezes, diz mais do que uma frase inteira. O B mudo é um silêncio carregado: um espaço guardado para o momento em que o país possa, enfim, falar disso sem medo. Quando esse dia chegar, o B deixará de ser mudo e passará a ser nomeado com todas as letras.
Soberania Já - Esse dia pode estar mais próximo do que parece. A capital federal recebe, nos dias 8 e 9 de julho, o Encontro Nacional “Soberania Já!”, que reunirá parlamentares, ativistas, pesquisadores, coletivos hackers, organizações sociais e representantes do poder público para debater os caminhos da soberania digital no Brasil. A programação inclui aulas públicas, articulação de uma Frente Parlamentar, plenárias estratégicas e grupos de trabalho voltados à construção de um Plano Nacional de Soberania Digital. Promovido por uma coalizão de entidades da sociedade civil articuladas na Rede pela Soberania Digital, com apoio da Campanha Internet Legal e de diversos mandatos parlamentares, o encontro marca um esforço concreto para que o Brasil possa, enfim, dizer esse B em voz alta.
domingo, 29 de junho de 2025
sábado, 28 de junho de 2025
quinta-feira, 26 de junho de 2025
GOLPE DA BARRIGA
Izabelle Valladares e a História para curiosos
segunda-feira, 23 de junho de 2025
quinta-feira, 19 de junho de 2025
TV GLOBO VAGABUNDA
quinta-feira, 12 de junho de 2025
COVARDIA ANUNCIADA
quarta-feira, 11 de junho de 2025
domingo, 8 de junho de 2025
O CANGACEIRO EZEQUIEL
A MORTE DE EZEQUIEL FERREIRA - AS CRUZES DO CANGAÇO NOS ROTEIROS DE PAULO AFONSO -
Os dois historiadores estiveram traçando um dos mais famosos Roteiros do
Cangaço em Paulo Afonso e demarcamos um dos mais famosos pontos da história em
nossa região.
Na Lagoa do Mel colocamos uma cruz marcando o local da morte de Ezequiel
e onde também morreram 16 soldados.
PARA ENTENDER UM POUCO MAIS DA HISTÓRIA SOBRE O LOCAL ONDE ESTIVEMOS E
ONDE MORREU EZEQUIEL, IRMÃO DE LAMPIÃO.....
Um dos mais ferrenhos combates de Lampião na Bahia aconteceu em Paulo
Afonso, no povoado Baixa do Boi. Nesse confronto morreu, a principio, 16
soldados e posteriormente, em fuga e perdidos, morreram mais 3 policiais.
O cangaço era movido por tiroteios, mortes e ferimentos. Lampião foi
grande estrategista e astucioso, com uma grande capacidade de pressentir o
perigo que constantemente o rondava. O famoso cangaceiro vivia dividido entre os
inúmeros combates e mesmo tendo desenvolvido uma quase perfeita estratégia de
segurança, contando com o apoio dos numerosos coiteiros, tinha sempre a morte
rondando seus dias e sofreu consideráveis baixas em seu contingente. Entre seus
maiores dissabores ele sofreu trágicas perdas e ver alguns irmãos sucumbirem em
combates sobre sua proteção, foi doloroso. No campo de luta ele viu três irmãos
morrerem. O primeiro morto em combate foi o Livino ferreira da Silva, no abno
de 1925, em um tiroteio acontecido na fazenda baixa do Juá, próximo a cidade de
Flores, Pernambuco, com volantes paraibanas comandadas pelos sargentos José
Guedes e Cícero de Oliveira. Livino faleceu oito dias após esse tiroteio, com
29 anos de idade.
O segundo irmão a deixar o mundo dos vivos foi Antonio Ferreira, nascido
em 1896 e morto em janeiro de 1927, na fazenda poço do ferro, Tacaratu,
Pernambuco, propriedade do coronel Ângelo da Jia, em decorrência de um acidente
ocasionado por Luiz Pedro, que disparou sua arma acidentalmente atingindo o
próprio amigo.
O terceiro morto em combate foi Ezequiel Ferreira da Silva, o mais jovem
irmão, nascido em 1908. Ezequiel passou a acompanhar Lampião em 1927, junto com
o cunhado Virgínio. Ele tinha o apelido de Ponto Fino, alcunha adquirida pela
justeza do seu tiro. Sua morte aconteceu
em Paulo Afonso, Bahia, no povoado Baixa do Boi, terras pertencentes na época a
santo Antonio da Glória do curral dos Bois.
O tenente Arsênio Alves de Souza chegou ás imediações do povoado Riacho
com uma volante composta por aproximadamente 20 soldados e tendo como guia os
dois irmãos Aurélio e Joví, que eram fugitivos da cadeia de Glória, preso pelo
inspetor de quarteirão, o senhor Pedro Gomes de Sá, pai da cangaceira Durvinha.
A volante chegou ao povoado riacho no dia 23 de abril de 1931, trazendo entre
seu aparato bélico uma metralhadora Hotchkiss. O primeiro contato do tenente no
lugar foi com Zé Pretinho e o jovem foi forçado a seguir com os policiais.
Cruzaram o terreiro de dona generosa Gomes de Sá, coiteira de Lampião e foram
armar acampamento na Lagoa do Mel, um tanque construído por Antonio Chiquinho.
Enquanto a policia se preparava para passar a noite na lagoa do Mel,
outras fontes confiáveis de informações de Lampião se dirigiam para o povoado
Arrasta-pé para avisar ao Rei do Cangaço sobre a presença dos militares nas
proximidades. Lampião mandou avisar Corisco e Ângelo roque, que estavam
arranchados bem próximos e junto com eles combinaram um ataque aos soldados.
Ainda com o escuro da noite, próximo ao amanhecer, Lampião recolheu
alguns chocalhos com Pedro Gomes e seguiu as veredas que davam a cesso a lagoa
do mel.
No coito da policia, prestes a amanhecer, o Zé Pretinho saiu com o
intuito de pegar um bode para fazer parte do desjejum de todos ali. Com a
escuridão se transformando em luz, os soldados ouviram o tilintar de chocalhos
e imaginaram que seriam os bodes se aproximando para beber água (um dos
sobreviventes desse combate, o soldado José Sabino, ordenança do tenente,
relatou, anos depois, que realmente confundiram os chocalhos, achando que eram
alguns caprinos se aproximando para beber água na lagoa). Na verdade eram os
cangaceiros cercando o coito.
Despreocupados, os policiais sofreram um forte e inesperado ataque, uma
verdadeira chuva de balas caiu sobre eles. Vários corpos caíram atingidos por
balas mortais e certeiras. A dificuldade encontrada pelos soldados foi que eles
cometeram um grande vacilo. A lagoa do Mel era rodeada por uma cerca de varas e
eles haviam dormido dentro do cercado. Quando eles tentavam transpor as
madeiras se transformavam em alvo fácil e caiam mortalmente feridos. Um exemplo
dessas mortes trágicas foi a do sargento Leomelino Rocha que morreu e ficou de
pé pendurado nas madeiras. Em um dos bolsos desse sargento lampião encontrou um
bilhete do coronel Petro indicando alguns locais onde ele se escondia.
O tenente Arsênio diante o desespero do momento, conseguiu efetuar uma
rajada de metralhadora e acabou acertando a barriga de Ezequiel Ferreira. A
arma depois emperrou e o tenente conseguiu retirar o percussor (ferrolho) da
arma e fugiu levando a peça que deixaria a arma inutilizável.
Nesse dia Lampião chorou amargamente a morte do irmão caçula e teve que
enterrá-lo, com a ajuda de Antonio Chiquinho, próximo a Lagoa do Mel.
Era a vida dos que viviam pelo poder das armas, que tombavam no dia a
dia, pelo aço lacerante do pipocar das artilharias dos diversos grupos que
traçaram as páginas do cangaço no nordeste brasileiro.
João de Sousa Lima, Paulo Afonso 12 de julho de 2018
sábado, 7 de junho de 2025
sexta-feira, 6 de junho de 2025
A SOPA, A ONÇA E O PRESIDENTE LULA
A SOPA, A ONÇA E O PRESIDENTE LULA, de Sara Goes.
Lula carrega nas costas um país que finge não depender mais dele, mas que não sabe andar sem sua bússola.
Uma onça parda foi encontrada morta na beira de uma estrada no interior do Ceará. Moradores, sem hesitar, recolheram partes do corpo do animal e levaram para casa. Com os restos, fizeram sopa. Sim, sopa de onça. A cena, ao mesmo tempo grotesca e reveladora, escancara um modo de sobrevivência que beira a barbárie, mas também simboliza algo maior, algo que atravessa o sertão e chega direto à Praça dos Três Poderes.
No Brasil de agora, não é só a fome literal que assombra. É a fome simbólica. A fome política. Uma espécie de canibalismo discursivo, onde todos os grupos parecem disputar pedaços do mesmo corpo. Lula se tornou essa carcaça exposta. Presidente em exercício, mas também entidade devorada. Alimenta a extrema direita, que precisa dele como inimigo onipotente. Alimenta o centrão, que mastiga sua governabilidade. Alimenta a esquerda acadêmica, que exige dele pureza doutrinária. Alimenta a esquerda mística, que quer ver lágrimas e profecias. Alimenta até setores do próprio campo progressista, que não o perdoam por ser humano em vez de mito.
Desde os anos 80, a esquerda tenta produzir um herdeiro político para Lula. Já tentaram forjar um sucessor que o superasse no carisma, na experiência ou na retórica. Nenhum resistiu. Uns afundaram no tecnocratismo. Outros se perderam na vaidade. Nenhum sobreviveu à comparação com a figura que eles próprios ajudaram a construir como insuperável. A mesma esquerda que o chama de pai fundacional sonha com sua aposentadoria. Mas sonha com medo. Porque se Lula ainda está vivo, é porque ninguém foi capaz de ocupar seu lugar.
E talvez seja essa a tragédia. Lula virou a sereia estendida na areia, descrita em A Novidade, dos Paralamas. Metade milagre, metade banquete. Objeto de desejo e de fome. Beleza suspensa entre o sagrado e o utilitário. Os que um dia o exaltaram por suas conquistas agora duelam para decidir se ainda merece crédito. Uns querem seus beijos de deusa. Outros só querem o rabo para ceia. O mesmo corpo que antes inspirava canções agora é estraçalhado por quem precisa sobreviver à própria frustração.
No meio dos esmerados em desossá-lo, há ainda os que preferem conservá-lo. Desde que empalhado. São os que o reduzem a uma fábula edificante, sempre apelando ao passado de retirante nordestino, como se sua intelectualidade fosse um subproduto instintivo, e não uma elaboração crítica e política sofisticada. Transformam sua trajetória em um enredo biográfico sem conflito, domesticado, ornamental. O mesmo expediente que meu colega Mário Vitor Santos observou na construção simbólica de Pepe Mujica, convertido em ídolo velhinho, conselheiro fofo, desprovido de tensão histórica. Lula, nesse enquadramento, não precisa mais pensar nem governar. Basta existir como lembrança.
Enquanto isso, o presente arde. Lula viajou à China e selou acordos comerciais históricos. Tratou de soberania, tecnologia, multipolaridade. Falou como um líder do Sul Global. Mas ninguém prestou atenção. A manchete foi outra. Uma fake news grosseira sobre Janja virou pauta central. Espalhou-se a história de que ela teria causado desconforto com Xi Jinping ao mencionar o TikTok. Nenhum vídeo, nenhum áudio, nenhum indício. Mas bastou. Em poucas horas, a suposta gafe da primeira-dama eclipsou os tratados firmados entre duas potências. Era como se a sereia abrisse a boca para falar e todos se concentrassem apenas no movimento de sua cauda.
É o projeto deliberado da velha imprensa de impedir que o país enxergue o próprio avanço. Globo, Folha e Estadão não erram por distração. Sabem exatamente o que fazem. Como apontado em editorial recente do Brasil 247, essas casas editoriais se converteram nos maiores entraves ao desenvolvimento nacional. Não porque neguem os fatos, mas porque os omitem com método. Sabotam o debate com silêncio. Esvaziam com editoriais. E quando não podem ignorar, preferem ridicularizar.
Foi o poeta que sonhava em cantar o milagre risonho. Mas o esfomeado venceu. Despedaçou a imagem, escarneceu do gesto, descartou o conteúdo.
No meio desse ritual antropofágico, Lula segue. Carrega nas costas um país que finge não depender mais dele, mas que não sabe andar sem sua bússola. É cobrado como um jovem em início de carreira e esvaziado como um velho que já não serve. O que ele faz nunca basta. O que ele não faz vira acusação. A novidade era ele. Ainda é. E justamente por isso, precisa ser sacrificado de novo e de novo. Em praça pública. Em mesa de jantar. Em feed de rede social.
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